quinta-feira, 22 de abril de 2010

Retrato da ingovernabilidade e atropelos!

A democracia e o progresso do país não se constrói com marketing, constrói-se com competência, rigor e com envolvimentos dos cidadãos. A fúria do enriquecimento tem tornado os nossos políticos demasiado dependente do poder económico e incapazes de governar para o bem-estar social.
A luta pelo poder é uma constante e depende de verdadeiras campanhas de marketing em busca do “populismo barato”. Esta campanha que demonstra-nos claramente a dependência do dinheiro e a forma como os “políticos” são financiados para beneficiar este ou aquele, tem fragilizado os partidos políticos existentes no país e permitindo que seja um “bloco de interesses” a governar sem regra e sem moral, com total prejuízo para o país e para a maioria da população.
O povo deixou de ter tido em conta, tornando-se simples figurantes que tenta esconder as dificuldades do país real e o estado avançado da degradação das coisas. A Democracia do Povo está cada vez a dar lugar à “Democracia de Interesses Particulares ou Partidários”.
Valores da democracia, como o respeito, a liberdade, a legalidade, a solidariedade, estão a tornar-se arcaicos. O que começa a ser trivial na nossa sociedade é a mentira, a irresponsabilidade, a falta de ética, o desleixo, os desvios, a corrupção...
Esta “espécie de democracia” tem servido como “ferramenta de marketing barato” vulgarmente utilizada pelo poder político para justificar toda uma série de atropelos aos direitos dos cidadãos. Exemplo disto é a recente, inocente e infeliz declaração da senhora Ministra da Defesa Nacional, em ousar na palavra e ameaçar publicamente a detenção de um Órgão do Poder Regional (consagrado na constituição da República no seu artigo 137º), o senhor Presidente do Governo da Região Autónoma do Príncipe, como se fosse um cidadão qualquer.
Este acto, é o retrato claro que muitos governantes não conhecem os seus direitos e deveres, que não lêem ou mesmo não conhecem a Constituição da Republica, que demonstra a ignorância dos muitos “políticos” que infelizmente temos, a falta de ética, falta do conhecimento do seu estatuto enquanto político, o autoritarismo, enfim…
A culpa disto tudo está numa herança do passado dos maus “políticos” que sempre tivemos! (tirando “alma que não merece”).
E pior de tudo, é vermos cada dia que passa, um país ingovernável e sem rumo. Um país onde a justiça não funciona, onde cada um faz o que bem achar, onde assistimos diariamente jogo de palavras que entre os Órgãos da Soberania, chegando até a fazer acusações públicas e a justiça continua adormecida. Onde o governo se limita a violar a declaração universal do direito do homem, em total desrespeito pela lei e pela participação cívica dos cidadãos na vida Pública, e nada é feito. Onde os fundos públicos são usados abusivamente e ninguém é chamado a prestar conta.
Um outro exemplo que merece frisar, é a recente compra de um barco supostamente novo para fazer ligação entre as duas ilhas (SãoTomé e Príncipe). Falo do navio “Príncipe”, que custou mais de um milhão de dólares e apenas funcionou por uns dias.
Até a data, desconhece-se a posição do governo, seja ele central ou regional a respeito da matéria. Apenas se assistiu um “joguinho de palavra” entre primeiro-ministro e um dos técnicos do barco. Quem é verdadeiro responsável pela compra/avaria do barco, não se sabe e nem se preocupam em saber! Estamos a falar num valor de mais de um milhão de dólares…enfim… país que temos…
Como cidadão preocupado com os problemas do país, gostaria de saber até onde vamos parar com essas “politiquices” que em nada contribui para o desenvolvimento do nosso país? Até quando esses “politiqueiros” apercebem que politica é preocupar com problemas do país e não com interesses particulares? Até quando?
Para terminar gostaria de dizer, que a democracia não se constrói a vender “gato por lebre” nem tão pouco é “coisa” que se herde. A Democracia constrói-se com a participação activa de todos cidadãos e respeito pela Constituição da República.
Mais uma vez relembro, que “o verdadeiro político é aquele que deve trabalhar em prol da sua comunidade, atendendo aos anseios do povo em geral”.
António Crisóstomo (O Parvo 26-02-2010)

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Lamentável “MENTE”!

Já ouvi falar de muitas coisas na nossa sociedade, e sabe-se por antemão que é uma sociedade “difícil e de ataques”. Ataque a liberdade de expressão, ataque as impressas, ataque a democracia, ataque as populações, ataque até as forças polícias, enfim… e hoje, o cúmulo dos ataques: ataque aquilo que é sem dúvida um dos nossos patrimónios culturais históricos (Ponte de Fernão Dias), a nossa herança do passado, o símbolo da resistência e de sangue derramado dos nossos antepassados, e que em suas memórias foi decretado dia de mártires da liberdade.
A falta de consciência, a falta de sentimento, a falta de moralidade, talvez até a perda de memória (sem ofensa claro!) de alguns dirigentes em fúria de enriquecimento, quer também conduzir a sociedade são-tomense ao mesmo barco. Ou seja, apagar a memória do passado, fazendo esquecer o Dia 3 de Fevereiro como dia que marcou o princípio da grande viragem na história de São Tomé e Príncipe.

É tão difícil perceber, como é possível que por interesse pessoal de um ou outro indivíduo, quer fazer-se desaparecer o património, que todos os anos no Dia 3 de Fevereiro, alegra, junta e movimenta milhares e milhares de são-tomenses para comemorar em nome daqueles que deram a sua vida pelo país; em troca da construção de um “porto de águas profundas”!
Peço desculpas, mas, esta não é “obra diabólica”, esta é obra de uma “mente doentia e lamentável”! Só um doente pode ter uma postura dessas. Só um doente e criminoso, pode querer apagar e destruir a memória do passado de um povo, sem deixar rastos e testemunho às gerações vindouras.

Só uma mente podre e corrupta, pode pensar em destruir um património cultural histórico de um país, em vez de preservá-lo e recuperá-lo. Só um doente pode querer conduzir o país ao abismo e ao inferno total.
Sinceramente, custa-me acreditar! Muitas vezes, assim como eu, muitos gostariam de saber o que pensam os governantes são-tomenses! Será que esses homens têm cérebro? Será que esses homens têm coração? Será que são mesmos seres humanos como os outros? Incrível!

Tão incrível, que não duvido que mais dias ou menos dias, estarão também vendidas as zonas de Batepá, Trindade, Ilha do Príncipe, S. João dos Angolares… entre outras. Com esta forma de pensar; de enriquecimento fácil, de tornar milionário a força, de “eu quero – eu posso – eu faço”, e nesta leva da politiquice, qualquer dia, o país será vendido. Se já não está!.. E o povo quando despertar, estará novamente nas mãos dos novos proprietários das ilhas, levando chicotadas, e aberto o caminho a uma nova era da escravatura do século XXI.

Enquanto uns lutam, para manter e preservar o património cultural histórico do seu país, como é o caso de Cabo-Verde, que bem recentemente, vimos e assistimos o apelo do seu Primeiro-Ministro para as comunidades dos países da língua portuguesa, em relação ao campo de concentração de Tarrafal, manifestando o grande desejo de o transformar num Museu de Resistência antifascista e de luta anti-colonial; outros, como são os dirigentes de SãoTomé e Príncipe, querem destruir por completo aquilo que fez a história, e o que o povo faz da história: “Ponte de Fernão Dias”.

Lamentável “MENTE”, porque não se respeita o povo e pelo menos a sua história?
Lamentável “MENTE”, já basta matar o povo aos bocadinhos, deixando-o a fome, miséria, vivendo sem assistência médica e medicamentosa, sem energia eléctrica…já basta de poucas-vergonhas…já basta retardar o País mais do que já está, já basta!...
Lamentável “MENTE”, não mate a memória do povo são-tomense!
Lamentável “MENTE”, é com o passado que se faz o presente e constrói-se o futuro!
Lamentável “MENTE”, assim como muitos, eu não quero acreditar que único lugar mais ideal para construção da “Porto de Aguas Profundas” seja única e exclusivamente na “Ponte de Fernão Dias”!
Lamentável “MENTE”, acredito que com imensas áreas costeiras e profundezas dos nossos mares, que existem muitos lugares do qual poderiam ser aproveitados e implementado o referido projecto!
Lamentável “MENTE”, será que esse terreno já não pertencerá a uns dos bastidores, e por sua vez, está em jogo o interesse de venda do mesmo, para arrebatar mais alguns fundos?
Lamentável “MENTE”…ainda acredito que podes ganhar a consciência!
Lamentável “MENTE”…


António Crisóstomo (O Parvo 03-06-09 )

segunda-feira, 25 de maio de 2009

"Eu acredito que SãoTomé e Príncipe vai mudar para melhor"

É, eu acredito.
Mas ainda não consigo acreditar que isso possa ser a curto ou médio prazo. A cada dia eu estou mais convencido de que a esmagadora maioria da população não tem a mais vaga ideia do que seja a Democracia representativa pela qual tanto se lutou na década de 90.
Ainda falta muito para conseguirmos entender o tamanho da responsabilidade que a Democracia nos traz. E só quando essa consciência chegar, só quando nós entendermos que isso depende mesmo, directamente, de cada um de nós, o nosso país vai mudar para melhor.

É, eu acredito.
Acredito tanto quanto os timorenses: – “um dia ser independente”
Acredito tanto quanto os angolanos: - “um dia conhecer a paz”
Acredito tanto quanto os americanos: - “um dia ter um presidente negro”
Acredito tanto quanto os cubanos: -”um dia abrir ao mundo”

É, eu acredito.
Acredito que possamos mudar...
Acredito que um dia os nossos políticos podem mudar de consciência.
Acredito, porque somos uma nação fantástica, privilegiada de inúmeros recursos naturais e humanos, dotados de uma criatividade invejável, além de uma alegria inconfundível.

É, eu acredito.
Sinceramente, acredito que podemos virar o jogo.
Acredito que palavras: unidade, disciplina e trabalho; aquelas que fazem parte do nosso brasão de armas, um dia sejam dadas o seu verdadeiro sentido.
Acredito, porque acredito nos braços heróicos do povo.
Acredito que um dia poderemos criar os nossos filhos numa sociedade mais justa, mais equilibrada, mais respeitada e fantástica!

É, eu acredito.
Acredito que palavras como…
Verdade, Igualdade, Oportunidade, Liberdade, Ética, Moralidade, Fidelidade, Carácter e Bondade...
Que faz tanto tempo, e até acho que já nos esquecemos delas, algum dia, elas farão algum sentido e que existirão pessoas dispostas a lutar para defendê-las.

É, eu acredito.
Acredito, porque ainda estou vivo, e acredito tal e qual como Santo Tomé – “ver para crer” – neste sentido, tenho fé, e se eu não morrer, ainda acredito que vou ver meu país no expoente máximo da esfera mundial.
Acredito, porque “esperança é última a morrer”, e o futuro de S. Tomé e Príncipe, depende de cada um de nós!

É eu acredito…

António Crisóstomo (Jornal O Parvo 25-05-09)

ARTIGO - Publicado aos 14/06/2007 04:16 - Site da Ilha do Príncipe

Caros
Certamente, são muitas as pessoas que criticam e mostram as suas indignações pela posição assumida pelo Presidente da Assembleia Regional do Príncipe, relativamente ao “mega projecto” destinado a essa região, alegando que está em causa o desenvolvimento e crescimento económico da ilha.
É necessário salientar aos mesmos, que o desenvolvimento e crescimento económico não são sinónimos de “mega investimento”, muito pelo contrário, é o sinónimo de “saber investir”. O “saber investir” tem implicação não só no domínio económico, como também nos domínios demográficos, sócio-cultural e político. Isto é, no plano concreto, o desenvolvimento é um fenómeno muito complexo que integra as mudanças mentais e sociais e o progresso dos conhecimentos da população, de modo a aumentar de uma forma sustentada o seu produto global real, o seu bem-estar e a sua qualidade de vida.
Ora, para haver desenvolvimento de um país ou região, é necessário não só que aumente regularmente a produção de bens e serviços (crescimento económico), mas também que este aumento corresponda:
1º ao aumento harmónico dos diferentes ramos de actividades;
2º a redução nas desigualdades de repartição dos rendimentos e melhorias do poder de compras da população;
3º a garantia da satisfação das necessidades básicas, tais como alimentação, saúde e educação;
4º a garantia das liberdades humanas;
5º ao respeito pelo planeta e pela geração futura.
Neste sentido pergunto:- Qual é a conclusão do relatório de estudo de impacto ambiental apresentado, que garante pelo menos os 3 últimos pontos anteriormente citado?- Já pensaram nas graves e grandes consequências sociais e ambientais que poderão surgir na implementação desses projectos, tais como: o perigo da nossa rica fauna e flora marinha, poluição, resíduos tóxicos, prostituição, tráficos drogas…?
Meus caros, dizia o senador Edmund Muskie 1971: - “ não podemos dar a ninguém a opção de poluir mediante um pagamento. Ar puro e água limpa, são os direitos humanos fundamentais e não devem ser aviltados por consideração de ordem económica. O meio ambiente é tão importante, que deveríamos protege-lo sem pensar em custos”.
Por isso, quero frisar que estou e estarei plenamente de acordo com a posição tomada pelo senhor Presidente da Assembleia Regional, até que seja apresentado um estudo CREDÍVEL, que mostre de facto todos os prós e contra desses investimentos.Já não podemos deixar cair nos erros que outrora foram cometidos; já não podemos deixarmos levar pela ambição ou pela emoção, mas sim, devemos “saber gerir”; saber gerir o pouco que temos, de forma a termos uma sociedade saudável, alegre e rica. Para que tal aconteça, é necessariamente obrigatório saber planear, organizar, dirigir e controlar; ou seja, “saber pensar”. E o “saber pensar”, segundo os economistas, é agir de “cabeça fria ao serviço de corações ardentes” isto é, a sociedade tem que encontrar o justo equilíbrio entre a disciplina do mercado e a generosidade dos programas do governo. Ao usar a cabeça fria para informar os nossos corações ardentes, que podemos desempenhar um papel fundamental para atingirmos uma sociedade próspera e justa.
Partilhando a mesma opinião que senhor Danilo Salvaterra: o futuro do Príncipe passa por uma boa preparação da população, dedicando os esforços para um melhor ensino, saúde, assistências aos idosos, habitação, melhorando apenas as existentes estruturas portuárias, aeroportuárias, hospitalares, e implementação de uma grande aposta no turismo, agricultura e pesca.
Para terminar, quero pedir em nome de toda população do príncipe e em meu nome em particular aos senhores membros do Governo Regional e aos senhores Deputados da Assembleia Regional, que busquem sempre o melhor consenso possível nos seus afazeres, de forma a encontrarem melhores soluções e saídas nas resoluções das situações que provavelmente poderão surgir, uma vez que o nosso Príncipe é pequeno e precisa de contributo de tudo e todos (seja ela de uma forma directa ou indirecta) e tentarem evitar ao máximo transparecer para o exterior as divergências internas.
Porém, são necessária uma forte coesão e convergências de opiniões e atitudes, sobre tudo entre os membros do governo. Como diz o velho ditado: - “a união é que faz a força, e contra força não há resistências possíveis”. Neste momento mais do que nunca, precisamos de um príncipe com uma sociedade unida e consistente, de modo a vencer todo e qualquer tipo de obstáculo ou dificuldade, e não um príncipe com divergências ou contradições.

Com os melhores cumprimentos,

António Crisóstomo

terça-feira, 24 de março de 2009

Absurdo

Sinto nas palavras a falta de contexto
O desanexo e a sua falta de sentido
E por vezes nem consigo conter
Nem detenho o acto irreflectido
De em voz alta as dizer.

Sinto na vida que tenho, a falta de tempo,
O absurdo que aos poucos transforma o meu ordinário,
O sentir repetidas vezes, quase desnecessário.

Sinto no ar que tento respirar,
A sua quase total ausência
Que me vai estrangulando na sua inexistência
Que me vem a cada novo inspirar sentenciar

E também sinto no espaço que ocupo
O aumentar claustrofóbico da minha vontade
O espaço já de si diminuto
Restringe ainda mais a sua pouca disponibilidade

Sinto no que vejo, observo e admiro
Um não sei quê de mentira ou falsidade
Um afrontamento e por vezes a falta de verdade
Não sei que absurdo é este, mas ao que disse nada retiro 

Sinto em meu redor mais do que de mim
Sinto a acomodação a outros costumes
Um entender da eternidade que não cabe em mim
Uma satisfação por poder testemunhar dias assim
Imutáveis no conteúdo, vazios de jovialidade
Mergulhados em absurdo e escassa autenticidade

E por fim sinto-me agora frio quase a congelar
Sinto-me triste, abatido quase ao ponto de chorar
Sinto-me aqui e ali, algures a pairar
Rodeado de gente Satisfeita, orgulhosa e contente
E eu insatisfeito reúno a amargura e a solidão
Para o fúnebre enterro do próprio, que não vê noutros a razão.

(Autor desconhecido)

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Não, obrigado… estamos cansados!

É sem dúvidas, se o arrependimento matasse, na sociedade são-tomense já não teria nenhuma “alma caridosa” para contar história. Talvez sim, existia uma sociedade cheia de malfeitores e de “almas malignas”, daqueles que aparentemente demonstram ser o “mais filho da terra”, que na verdade só interessam por eles, e estão-se a “borrifar” para o povo.
Na verdade, já não sabemos quem são os verdadeiros culpados do mal-estar social. Se é o povo, ou se são “os mais filhos da terra”, isto é difícil de identificar. Também, isso não nos interessa muito!...
Dizia os meus pais: - “ meu filho, nunca chore sobre sangue derramado. Porque, o que está feito, está feito. O tempo já não volta atrás. E mais, o tempo é o verdadeiro remédio para sarar as nossas feridas. E os erros cometidos no passado, são as nossas cicatrizes do presente.
Essas cicatrizes, não servirão para passarmos a vida toda a pensar nelas, mas, para nos despertar e ganharmos consciência e não voltarmos a cometer os mesmos erros”. Por outras, quero com isso dizer, que não devemos estagnar no tempo a pensar no problema, mas sim, devemos procurar encontrar soluções para ultrapassarmos esses mesmos problemas.
Se antes, cometemos erros graves, em escolher pessoas erradas para governar o destino do país; em deixar-nos enganar por umas merendas; por umas cervejinhas; por umas bodas no bairro; pela vinda dos cantores de renome e grupos culturais; por uns pães com chouriços… e estamos a viver na situação que estamos. Sem escolas; sem assistências médicas; bebendo água imprópria para consumo; com alimentação debilitada; etc.…então, julgo eu, que está na altura de dizer “Não, obrigado… estamos cansados!”
Cansados daqueles que vêm de onde vêm, corrompendo ainda mais a consciência do povo (dada as necessidades existentes no país), dando dinheiro a “torta e a direita”; vendendo a sua imagem; publicitando a todo o custo o seu bom-nome; apadrinhando todo e qualquer tipo de actividades no país. Em troca de quê? De voto claro!
Quando o essencial, que é a resolução dos problemas básicos da sociedade, como criação de mais empregos, mais formação, construções de escolas, saneamento do meio, levar águas e energias àqueles que nunca tiveram, melhoramento das condições hospitalares, compram de mais medicamentos (evitando a venda de medicamentos fabricados com giz, pondo em perigo a vida da população), importação de géneros alimentícios, criação de centros educativos para as “crianças em riscos”, dar mais atenção as pessoas com necessidades especiais (deficientes) … enfim. Esses problemas, não os interessam!
Irmãos são-tomenses, está na altura de unir numa só força e uma só voz, e dizer a esses falsos profetas, que vêm de onde vêm, pregando evangelho, dizendo ser o salvador da pátria, oferecendo “mil e fundos”, que “quando esmola é muito, santo desconfia”, por isso, “Não, Obrigado, Estamos Cansados”!
Cansados de tanta falsidade. Cansados de sermos enganados. Cansados de dar a mão beijadas aos usurpadores de coisas alheias, a vitória conquistada na dura luta para conquista da independência e da liberdade. Por isso, “Não Obrigado!”, porque o valor, o sangue e a dignidade de um povo, não se vendem.
E mais uma vez, nunca se esqueçam que “para tomar uma decisão importante na vida, é necessário saber o que queremos e aonde queremos chegar”, ou seja, saber se queremos continuar nesta vida triste e dolorosa, ou se queremos mudar para melhor. Se queremos caminhar para progresso, ou se queremos continuar no retrocesso.
Senhores “mais filhos da terra”, conforme cantou Camilo Domingos, “…Santomé sa ginón Quidalê...” (….S. Tomé é dos santomenses, o que D’el-rei…).
Melhores cumprimentos
António Crisóstomo

domingo, 5 de outubro de 2008

Sociedade de “Salva Quem Puder, Cada um por Si e Deus por Todos”!...

Após as recentes declarações de duas altas figuras do estado Santomense, sobre o sistema político do país e falta de recursos para dar resposta a uma operação de busca e salvamento de dois cidadãos nacionais desaparecidos no alto mar, leva-nos a retroceder cronologicamente, e lembrar a mais bela e sábia frase do filósofo Tales de Mileto: - “Quem sou, de onde venho e para onde vou”, transcrevendo numa linguagem plural: - “Quem somos, de onde viemos e para onde vamos”.
De igual modo, entrar de novo em contacto com a história da “Alice no País das Maravilhas”. Talvez até se lembre da passagem em que a menina Alice, ansiosa por escapar dos domínios da Duquesa, conversa com o Gato de Cheshire.
“O senhor poderia dizer-me, por favor, qual o caminho que devo seguir para sair daqui?”, pergunta Alice. “Isso depende muito para onde você quer ir”, responde o Gato. “Não importa muito para onde…”, diz Alice. E o Gato sentencia: “ Então, não importa o caminho que escolher”. Alice responde: “Contando que vai dar algum lado, parece-me bem”. “Pode ter certeza de que vai chegar a algum lado se caminhar bastante”, garante o Gato.
Por esta altura, deve estar a interrogar-se até que ponto tem a ver a frase de Tales de Mileto e uma história infantil um tanto ao quanto “maluquinha” com as declarações proferidas pelas figuras do estado.
Antes de deixar as metáforas de lado, quero ainda frisar o Paulo Coelho, no seu livro “O Alquimista”, que escreveu o seguinte: “Quando alguém quer alguma coisa, todo o Universo conspira para que se realiza esse desejo”. Isto quer dizer que, quando sabemos o que queremos, podemos traçar um caminho para lá chegar. Logo, para fazer as escolhas certas, tomar decisões importantes na vida, para traçar um caminho rumo à conquista das nossas aspirações, é fundamental saber aonde queremos chegar.
E assim, vem a primeira regra de ouro: Tenha um norte para as suas acções. Se não sabe onde quer chegar, tanto faz o caminho. – Do Gato Cheshire.
Caindo no real, parece-me que os sucessivos governos empossado em S.Tomé e Príncipe, nunca seguiram um plano, um programa rígido, uma estratégia e uma politica séria de desenvolvimento sustentável. O que parece, é que muitos assumem funções, sem saber o que irá fazer nem como fazer. Talvez sim, como forma de preencher os seus currículos, sem ter noção do grau de responsabilidade que irá assumir, e muitas das vezes, sem perfil para lá estar.
Pergunto: - qual é o sector ou qual a área estratégica para o desenvolvimento e crescimento económico do país, apresentada por um governo, e que foi levado a sua implementação? Será o sector Primário, secundário, terciário? Agricultura, pesca, turismo, formação, infra-estruturas?
Pois caros, são essas as respostas, que certamente muitos gostariam de saber.
Uma coisa é certa, sem uma estratégia clara e bem definida, uma politica seria e conduzida, nunca chegaremos ao lado nenhum. E não esqueçam que, “quem tudo quer, tudo perde”.
Enquanto, continuamos na política de “faz de conta, e de vamos experimentar”, o país continuará neste marasmo, e por mais incrível que pareça, notaremos cada vez mais, a existência de três classes dentro de uma só sociedade: - “aquela em que as pessoas gastam rios de dinheiro; aquela em que as pessoas comem para viver e aquela em que as pessoas não sabem de onde virá a próxima refeição”; ou seja, “Salva quem puder, Cada um por si e Deus por todos”.
É lamentável, é crítica, é dura, mas, infelizmente, essa é a nossa realidade!


António Crisóstomo
Santomense – Setembro 2008

Trinta e três de Cristo, Chega!..

Doze de Julho de 1975 – 12 de Julho de 2008. Trinta e três anos de “vida no circo”, 33 anos de “comédias”, 33 anos de “pesadelos e sofrimento”. As vezes, pergunto para mim mesmo: - será este arquipélago um país? Um projecto de país? Ou um pré -projecto de país?
De tanta incerteza, insegurança e atrasos que se vive, fui obrigado a observar com atenção o nosso belo emblema, e não resisti em retratar o nosso lema nacional: - “Unidade, disciplina e trabalho”. Quando na realidade, o que se vê e vive, é “falta de unidade, indisciplina (na gestão de coisas publicas) e preguiça”.
Olhando também com atenção nas letras do nosso lindo Hino Nacional, encontro a seguinte estrofe fantástica: - “Independência total, total e completa; Construindo no progresso e na paz; A Nação mais ditosa da terra; Com os braços heróicos do povo”.
Pergunto: - será mesmo uma independência total e completa, construindo no progresso e na paz, ou será uma dependência perpétua de ajudas externas, construída pelo retrocesso e instabilidade? - Será a nação mais ditosa da terra, com os braços heróicos do povo, ou será a nação mais desgostosa da terra com golpes heróicos dos governantes?
Compatriotas!....
São 33 anos, o chamado “Ano de Cristo”, portanto, está mais do que na altura, para aprendermos de uma vez por toda, e “gravar”, com as letras bem grandes nas nossas mentes, a palavra “responsabilidade”, decora-la, para nunca mais esquecermos da sua existência.
Meus senhores. “Punda Clistu” (por Cristo) … Chega! Chega de Vergonha, Vergonha de ver o nosso país, cada vez na cauda da pobreza, batendo recorde no estilo de governação, mudando “13 governos em 17 anos de democracia”. Vergonha de não conseguirmos entender porquê, que um país, com cerca mil e um km2, com uma população que ronda os cento e sessenta mil habitantes; onde a natureza fornece tudo, mais tudo e com grandes potencialidades para a prática de agricultura, pesca, turismo, enfim… e não se consegue conhecer a luz do desenvolvimento. Chega de Vergonha!...
Vergonha de ouvir e ver constantes “dizeres e contradizeres” entre a presidência e o governo, dando a entender que estamos na presença de um “palco de ringue” onde existe um jogo da força de poderes e que vence “ o elo mais forte”. Vergonha, de saber que a má governação, corrupção, a falta de clareza na gestão de bens e fundos públicos, invadem cada dia e cada vez mais a mentalidade e corações dos nossos governantes.
Vergonha de ver e ouvir os governantes a expressarem a palavra “democracia”, quando na realidade o que existe é uma “ditadura democratizada”, para não chamar “ditadura moderna”. Chega de Vergonha!...
Vergonha de ver o único Liceu Nacional, a “rebentar pelas costelas”, com mais de 80 alunos por sala de aula e nada a ser feito. Vergonha, de deixar-se levar pela ganância de criar vários instituto de formação superior, quando o ensino básico está cada vez mais critico e sem reforma em vista. E mais grave ainda, com um ensino público que só vai até ao 11º ano, quando no mundo actual, escolaridade mínima obrigatória para o acesso ao ensino superior é o 12º ano. Chega de Vergonha!...
Vergonha de saber, que outrora quando éramos poucos, tínhamos mais de seis hospitais de qualidade (Monte Café, Agua Izé, Aires de Menezes, Sundy, Porto-Real e Dr. Quaresma Dias da Graça…) e, hoje que somos mais, só nos restam dois e sem condições nenhumas.
Vergonha de ver ruas esburacadas, casas degradadas, falta de iluminação nas cidades e regiões periféricas, falta de infra-estruturas, enfim… como se tratasse de um pais que sofreu muitos anos de guerras armadas. Chega de Vergonha!...
Vergonha de ver, uma Assembleia da República com cinquenta e cinco deputados, para um país tão pequeno, mas, que mesmo assim nada se faz. Vergonha de saber, que Governo não tem se quer uma “canoa”, que permite fazer ligação entre as duas ilhas, evitando cada vez mais o isolamento uma da outra. Chega de Vergonha!
Vergonha de enviar centenas de estudantes para Cuba e para outros cantos do mundo, sem garantias de bolsas de estudo, largados ao “deus dará”, sem um consulado ou alguém que os responsabilize e os representem. Vergonha de ver os ditos Senhores “gatos-pingados” a viver a “grande e a francesa”, com altos carros e casas, viajando todas as semanas (para não dizer todos os dias), e o povo coitado, de “boca ao vento” , “chupando no dedo”, pedindo a Deus que os ajude a ter o “pão nosso de cada dia”. Chega de Vergonha!
Vergonha de ver todos os apoios financeiros de ajudas externas, doados ao estado são-tomense, desaparecendo como se fosse uma “varinha magica”. Chega!... Chega de tortura, chega de corrupção, chega de desprezar o povo, chega de usurpação, chega!... Liberta-os da “cadeia de porta aberta”, faz o povo ver a “luz do dia”, porque, justamente aos 33 anos, acabou o sofrimento de Cristo. Espero eu, que seja o fim do sofrimento do povo são-tomense.
Assim, peço-vos: - “que criem uma sociedade justa e digna; que sejam justo na distribuição da riqueza; que pensem no progresso e desenvolvimento do país; que criem uma política séria para educação e saúde; que tenham atitude e consciência e deixem de enganar o povo; que apostem seriamente numa área estratégica para o crescimento e desenvolvimento económico (seja ela, agricultura ou pesca ou turismo…); que façam a melhor gestão possível de bens e fundos públicos; que dêem oportunidades aos mais jovens, e que não esqueçam dos compromissos com os estudantes bolseiros; que lembrem, que está mais do que na hora, de unirmos numa só força e pensarmos no futuro e bem-estar social”.
E nunca esqueçam: - que “UM BOM POLÍTICO DEVE TRABALHAR EM PROL DE SUA COMUNIDADE ATENDENDO AOS ANSEIOS DO POVO EM GERAL”; e que evitem, a prática de uma “Política da ignorância”; porque “o mundo é um bom lugar, mas, quem estraga-o são os seres humanos”.



António Crisóstomo - São-tomense

sábado, 4 de outubro de 2008

Que Deus me perdoe!...

Não sei se é praga ou azar, ou até uma mera coincidência!...
Não sei se é maldição ou condenação ou mesmo algo evidenciado!...
Só sei, se eu conhecesse o indivíduo que atribui os nomes aos PALOP`s, pedia-o satisfação. Se era de bem ou mal, já não sei…
Ora vejamos:
O “irmão Anos” (Cabo-verdianos, Angolanos e Moçambicanos), vivem com paz, sossego, estabilidade, tranquilidade e progresso. Sempre lutando e buscando o melhor e mais condições para suas satisfações; trabalhando com harmonia, humildade, união, e sempre pensando na sua pátria seja onde quer que estejam.
Os “irmão Enses” (Santomenses e Guineenses), são os amaldiçoados, os condenados, os azarentos, enfim, tudo do pior que uma nação poderia conhecer… egoístas, malfeitores, invejosos, ambiciosos, rancorosos e mais graves ainda, corjas de …
Não se compreende nem se entende, como é possível que em pleno século XXI, uns países que poderiam ter grandes e boas condições (como é o caso de Guiné e S.Tomé e Príncipe), dada as potencialidades e recursos naturais que possuem, possa estar a viver crises profundas e sucessíveis, devido os interesses particulares, de um ou outro indivíduo, que julgam ser “dono da terra”.
Leva-nos a crer, que o poder nos “irmãos Enses” é visto como uma fonte de rendimento para férias prolongadas, e quando enfraquecem os rendimentos e as ferias, os reis voltam ao seu trono.
Nessas terras onde quem tem “um olho é rei”, os poderes são rotativos. Sempre os mesmos, sempre as mesmas caras cansadas, sempre os mesmos fracassos, sem qualquer alternativa governativa nem ideias frescas, agarrados nas ideias mais remotas que alguma vez se conheceu, e ainda por cima, não se sentem se quer incomodados em ver os seus povos a sofrerem e a morrem muitas das vezes a fome e miséria.
Que Deus me perdoe! Porque também tenho família, mas, como diz o velho ditado: “cada povo tem governo que merece”. Ah pois tem!...
Enquanto não abrirem “pestana” e verem que existem uns “sanguessugas”, que andam a sugar tudo que país tem, sem pensar neles, e tomarem decisões, agirem ou mesmo reagirem, para acabar com esses usurpadores de coisas alheias, tirando-os do poder, votando na sinceridade e acreditando em gente séria, nas propostas credíveis, e esquecerem de fenómeno “banho” nas épocas da campanha; que sofram!...
Sabem quem foi o famoso António Variações? Não sabem!... Pois vos faço lembrar a sua magnífica canção: “ quando a cabeça não pensa, o corpo é que paga…”, ah pois como paga!...
Ah pois é!... Não querem “banho”?... Então toma “banho de fome e miséria”! … Agora aguenta!... Até que aprenderem a abrir os olhos e votarem na consciência, na proposta digna e condigna, naqueles que querem bem para país e não naqueles que vos enganam, com uns pães com chouriço, umas camisolitas, umas cervejinhas e uns dólares na mão durante a campanha!...
Que Deus me perdoe!... Mas, bem feito!... Que sofram, até que aprendam que mais importante é pensar no futuro e saberem que vale a pena terem futuro feliz, do que felicidade apenas num instante, ou seja, na época do “balnear” (campanhas eleitorais).
Um dia, quando cansarem de comer “pão que diabo amansou”, aprender-se-ão, e daí meus irmãos, irão aprender que devem confiar e dar os seus votos e as suas consciências, naqueles que merecem e vale a pena confiar, e não “ num qualquer”, que aparece com um “soprar do vento”, sabe-se lá de onde… e vos enganam com um pão com chouriço e umas cervejas!...
Digam-me “irmãos Enses”... É a vossa vontade, de tomarem banho num dia e permanecerem sujos por resto da vida toda?
Não acredito que seja verdade!... Por isso, ponham mão na consciência, pensa no futuros, se não vosso, mas, dos vossos filhos e netos, e não permita e nem deixe que os nossos países sejam governados pelos “falsos profetas”, porque o judas já basta aquele que vendeu o Jesus Cristo.
Nunca esqueçam, que “quando a esmola é muito, santo desconfia”. Portanto, todos aqueles que aparecerão diante de vós, dizendo, “ eu sou o vosso salvador”, dando-vos “banho”, são os vossos inimigos e só vos querem enganar, porque os mesmos conhecem as vossas fraquezas, usam as vossas necessidades e pobrezas, para ficarem cada vez mais ricos do que já estão.
Num dia se forem chamados as urnas, na hora de depositar os vossos votos, pensa, pensa e usa a vossas consciências.
Lembrem sempre que é “futuro que está em jogo” e não o presente! E mais ainda, lembrem “que muitos banhos tomados no passado foram desgraças que vivem no presente”.
Como dizia João Carlos Silva, do programa “Na Roças com os Tachos”, “façam favor de serem felizes”.

Obrigado,

António Crisóstomo - Santomense